a estranha loja de magia

em homenagem ao paraíbano da banca de revista lá de Itabuna, que me abriu imensamente a fome de leitura através de seu cheiro de papel velho e poeira.
e a meu avô, que me levou até lá, para eu eu escolhesse o que quiser.

pouca gente sabe, mas apertada entre dois prédios velhos em uma rua perto daquele cinema Glauber Rocha lá de Salvador, fica uma portinha fechada.
quem entra por ela encontra uma loja de antiguidades bem peculiar.
uma placa bem desbotada dá a impressão de que a salinha lá de dentro já foi abandonada.
mas é só a aparência. se você quiser chegar lá qualquer hora dessas, precisa nem bater, é só entrar.
vai ser recebida por um rapaz que a gente chama de o Paraíbano. Com p maiúsculo mesmo, porque de tanto tempo que o conheço, gravou em minha cabeça que aquele é o seu único nome.
estou perto dos meus 40 anos. Em minha primeira infância, lembro que ele parecia ser bem mais velho que eu. hoje parece ter a minha idade.
sempre muito alegre, ele te explica sobre qualquer coisa que tem por ali. é pena que poucas pessoas passem por aquela rua e menos ainda entrem lá.
ainda o vejo lá dentro quando corto caminho. ainda usa a mesma vassourinha de penas pra tirar a poeira dos livros. a mesma com o cabo verde claro que segurei quando entrei lá pela primeira vez.
Calvo e meio grisalho do mesmo jeito que o vi quando era criança.
Faz muito tempo que não entro lá. Cá entre nós e espero que esse meu pensamento não o desencoraje, acho que ele já morreu e continuo vendo seu fantasma passeando.
Só ignore minhas impressões e chegue por lá, ele vai te receber bem. muito provavelmente você não vai sair de lá de mãos vazias. tanto os livros quanto as peças, guardam tanta história que podem te transportar no tempo só de você ter algo dali entre as mãos.
Devo a ele meus primeiros passos nos caminhos do ocultismo.
chegava por ali com meu avô e ficava a imaginar o que se escondiam nas capas daqueles tantos livros fechados. ou as histórias vivas que eram aquelas peças que ficavam lá no alto.
acreditava em tudo com minha imaginação de criança, imaginem então, ler Lobsang Rampa aos 7 anos de idade.


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