O meio dia
















A meu ver, o meio dia é o auge da claridade do sol. sua hora de maior brilho. E essa parte do dia, para quem vive na prisão é uma das cenas mais belas de se ver.

Cansadas de passar anos e anos sob a vista daquele anão malvado, eu e mais quatro amigas resolvemos fugir.

Um dia antes, comecei a sentir a mudança de tratamento por parte da minha colega de quarto, me abraçava como se eu fosse um homem, não deixava eu me afastar.

Era linda, gordinha de olhos apertados. o calor do seu corpo me dava a sensação de que eu a devia proteger, aquele homem pequeno não era nada bom com a gente, e toda vez que ela apanhava eu me sentia culpada por não poder fazer muito.

As outras duas amigas eram mais distantes mas não menos amigas da gente, em segredo preparavam um plano para fugir daquele mundo em pleno meio dia pois a luz era forte e o anão não conseguia enxergar, só gostava do escuro e da chuva.

No começo da tarde lamentei por não ter descoberto antes aquele sentimento, pois dali a duas horas iriamos nos despedir para sempre, cada uma iria para o seu mundo e talvez nunca mais voltassemos a nos ver.

ficamos abraçadas durante todo o tempo olhando pela janela a tarde se transformando aos poucos em manhã. pensei em beijá-la mas a razão era mais forte, eu terminaria levando o coração daquela menina comigo.

Chegada a hora, as outras duas bateram a porta do quarto dizendo que o anão havia dormido e que voltariam em breve para trazer as bagagens- a fuga seria pela nossa janela. Pelo barulho que fizeram quando nos chamavam, acabaram por acordar nosso sequestrador, e ele ficou a esperar as meninas no escuro de fora do quarto. Ouvi seus passos a tempo de abrir a porta e derrubá-lo escada abaixo dando tempo para que as meninas entrassem no quarto fechando-o lá fora.

O chão tremia cada vez mais que chegavamos perto da saída para outros mundos. E o portal era curioso, parecia uma porta rolante de rodoviaria, com quatro entradas e sabiamos que cada uma levava a um canto do espaço.

Olhei pela ultima vez seu rosto, acreditando que nunca mais iria amar alguém como a amei, ficamos juntas no mesmo quarto por quase duas décadas e ironicamente só fomos descobrir um novo sentimento quando tudo estava para se acabar, era o ultimo castigo daquele demoninho que nos havia sequestrado quando ainda eramos bebês.

O sol ia alto no céu, então ela sorriu pra mim e se foi.

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