Tokanda - capítulo primeiro
Tenho um sonho muito distante com as matas ao redor do meu castelo, minha casa de fazenda... Tudo era um sonho. Os passeios a cavalo, as crianças a correr, minha adolescência. Um mundo infinito de alegria. Mas ainda assim, meu coração ainda voava longe...
Um dia acordei num lugar desconhecido. A luz clara de um começo de manhã entrava pelas janelas do quarto.
Uma calma profunda me invadia, como se o tempo houvesse parado, como se não houvesse mais futuro. Cheiro de lençol limpo, flores pela cama, tudo era tão aconchegante que a vontade era de beijar o travesseiro. Levantei devagar, como se qualquer aceleração pudesse estragar aquela sensação tão leve de paz. Das três janelas, a única aberta era a mais próxima de mim, na parede rente a cama. Levantei e vi um mundo novo ao lado de fora. Por dentro paredes de pedra, lá fora as nuvens amareladas enchiam o céu feito um quadro vivo. O lugar era cercado por uma floresta que se perdia no horizonte. Parecia estar bem longe dos meus. Não havia sensação de perigo ali, era como se estivesse em casa. A vontade era de explorar o lugar e conhecer, queria sair voando pela janela. A porta entreaberta dava para um corredor, silencioso e escuro como num filme em preto e branco. Haviam muitos outros quartos como o meu, todos com portas fechadas. Saí para uma sacada enfeitada por pilares como na Grécia. A visão era da mesma floresta infinita. Estava ilhada. Desci por um lance de escadas e parei a porta de uma cozinha. O fogo estava aceso. Som de passos, alguém vinha em minha direção, me escondi entre algumas plantas do lado de fora antes de ser vista. Sentia uma mistura de vergonha e timidez por estar numa casa tão bela, não queria logo de imediato ser vista. Não imaginava quem podia morar por ali. Uma senhora de idade vinha carregando uma panela a esfumaçar. Logo senti cheiro de café. Grandes mãos pousaram em meus ombros e me virei... -calma, não precisa ter medo. - disse a criatura. Uma forma oval flutuava acima de um corpo nu e sem cabeça. Seu rosto sorria num fundo branco, como se desenhado numa folha de papel. -não tenha medo. Só sou bidimensional, minha cabeça voou para longe e meus pensamentos ficaram aqui esperando ela voltar... Não conseguia esboçar reação ante aquela criatura. - Olha isso, de qualquer direção que me olhar, vai ver meu rosto de frente. -tentava girar a cabeça sem conseguir. Não conseguia demonstrar reação àquela criatura. - posso olhar para todos os lados ao mesmo tempo. Olha isso. - girava o corpo, sem que a cabeça seguisse. Apenas conseguia dizer não, assustada. Comecei a andar em direção a floresta. Fui aumentando o passo até estar correndo. -não vou te fazer mal! Espera minha cabeça voltar, ela é bonita. Seu corpo era pesado, tentava me seguir, mas corria devagar. Logo fui tomando mais distancia. Depois de curta perseguição, o perdi de vista. Ainda ouvia seus apelos ao entrar na floresta. Não havia caminho aberto, tudo era vegetação, como se o lugar nunca houvesse sido tocado por mãos humanas. Os galhos a princípio me rasgavam as roupas. Me enfiava bravamente entre as ervas daninhas e arvores estreitas. Aos poucos elas iam se abrindo, as folhas se moviam visivelmente, fazendo gestos de passagem como mãozinhas gentis. Era como ir aos poucos perdendo os sentidos. Já não contava o tempo que havia se passado. Nem imaginava o quanto havia caminhado. O chão morno e macio passava a impressão de que caminhava flutuando. O silencio era incomum, nada dos barulhos de floresta. Tentava sem sucesso ouvir pássaros, não corriam águas. O vento batia em meus cabelos sem cantar. A tarde chegava ao fim sem que escurecesse. O sol desaparecera ha muito, coberto pelas arvores. O mundo havia congelado. O brilho e as nuvens... A cor do céu e o vento... O silencio e o movimento das copas das árvores... Meu próprio relógio interno havia parado desde a fuga do castelo. As nuvens se mostravam cansadas, seguiam para casa sem que conseguissem escurecer. Pouco a pouco meus pés foram sentindo a umidade do chão. O aroma das águas caminhava pelo ar, convidava meu nariz a seguir como um velho amigo. Em instantes se abria a minha frente, um lago. Suas bordas possuíam a forma nítida de pálpebras. Seus olhos aquáticos me convidavam a nadar. Deitei fora o vestido já rasgado e encardido da caminhada e mergulhei. A água era morna e salgada. O fundo ficava a metros abaixo de mim, flutuava sem vontade própria, guiada ao desconhecido. Vagava pelo espaço sideral. - nade em mim. – dizia uma voz vinda do fundo. Era terna, entrava em minha mente sem que fosse sentida pelos ouvidos. Fazia os olhos fecharem de sono. Sob minhas pálpebras brilhavam as estrelas, abaixo e acima, por todos os lados. Minha visão girava em 360 graus. Sentia-me refletida num espelho gigante, como um astro no infinito. A correnteza arrastava meus ouvidos para além. Iam para onde nem a vista alcançava. -toque os meus espaços. – falei sem sentir. – sou o mundo. Mãos de água me acariciaram os pés, espiralavam sensualmente, subindo em direção aos dedos. Paravam entre os dedos como se tocassem meus orifícios e os penetrava infinitamente, desaguando pelo outro lado. Inundando meus tornozelos. Pequenas ondas correram entre minhas pernas, feito mãos forçando-as a abrir. -toque os meus. –pediu ela timidamente. – me leve a mergulhar em você. Avermelhei, imaginando o que viria a seguir. -é sujo... - sussurrei alto. Seus braços aconchegantes me envolveram, correspondi entrelaçando-os com os meus. -nada é sujo quando se deseja. Apenas se abra, deixa que te navegue. Afogue-me em você. Seus vapores refrescantes me tocavam o rosto... -só há você aqui. Deixa que te sinta. Vergonhosa, fui abrindo as pernas e deixando correr o jatinho de xixi. A água ao meu redor foi ficando amarelada e quente. Esporos subiam, iluminando o ar. -é doce. – disse a criatura. Um par de mãos em posição de reza emergiu entre meus pés, nadavam em minha direção como as barbatanas dorsais de um peixe. Afastei as pernas para que se chegassem. Meus grandes lábios foram abertos e o jatinho subiu. O barulho do xixi caindo na água me excitava. -tudo em você é belo. – um rosto feminino se esgueirava sobre as águas. Deitada, apenas conseguia sentir espaços sendo preenchidos. Sua língua penetrou minha vagina, lambendo as ultimas gotas que saíam. -olá. – me sorriu apoiando os cotovelos em minhas coxas seu rosto descansava alegremente entre suas mãos. Piscava seus olhos negros para mim. Feliz. Passos podiam ser ouvidos ao longe, se aproximando. As arvores tremiam como se estivessem sendo derrubadas. - as arvores tremem. Vem vindo alguém. – olhava assustada para as margens, buscando a direção dos tremores. – deixa que te esconda, a água não vai te fazer mal. Abracei seu corpo e fui afundando, nossos olhos se tocaram. -é o caçador! Ele vem a sua procura. Arvores iam caindo cada vez mais próximas da gente. Era como se um gigante estivesse a pisar no mundo. A margem, surgia um jovem em um cavalo. Vestia um manto que cobria seus ombros. -não o admire, ele vai te encontrar. – me pedia amedrontada. Lançou seus olhos verdes em minha direção. -tem alguém aí? – olhou para nós, curioso. -pela ultima vez, não responda. -ele já me viu. Fuja para longe. –falei para o vazio. De repente dei conta de que não podia respirar debaixo da água. Meus pulmões foram sufocando e levantei. O lago já não era fundo, ficava a altura da minha barriga. Como mágica, a noite foi caindo com velocidade e o tempo esfriou. As nuvens correram depressa para suas casas. Um vento frio me arrepiou a pele. Tudo se tornou ameaçador... Cobras podiam sair dos leitos e as pedras do lago eram escorregadias. A chuva podia cair, me deixando resfriada. Onças com olhos faiscantes se sentavam as margens, esperando minha saída. Comecei a tossir forte e ele veio em minha ajuda... -desculpe atrapalhar o seu banho, senhora. Quer ajuda para sair daqui? Já escurece. O vento balançava as arvores e os pássaros voavam procurando abrigo para a noite que chegava. -já escurece, me deixa te ajudar a sair daqui. – me estendeu a mão. -só me deixa procurar minhas roupas, acho que a correnteza levou. – cobria meu corpo com as mãos. Tentei mergulhar a procura dos restos de vestido mas a água estava escura. Era como se a sereia nunca houvesse existido. -pegue meu manto. –disse, descendo do cavalo. Suas botas enlameadas encardiam a água, levantava a sujeira do fundo. – não vou te morder. Pode subir. Tive a impressão de ainda ver com o canto do olho, uma criança com orelhas de raposa. Nos observava das folhagens. Ficou a nos olhar assustada por instantes e depois fugiu. O cavalo ia veloz por uma estrada aberta. -não devia vir aqui sozinha, é perigoso. Não imagino como conseguiu chegar tão longe... -andei a tarde inteira. Fui perseguida por um homem. -ele te machucou? –tocou gentilmente meu braço que o entrelaçava. -consegui fugir antes. Ele estava pelado. -posso encontrar esse rapaz se quiser. Paramos um momento para acender a lamparina. -vou tirar minha camisa pra te aquecer mais. Andaria nu se não fosse indecente chegar assim na cidade. Sua gentileza me atraía e ao mesmo tempo amedrontava. Seu corpo era forte, queimado de sol. Caía uma barba escura em seu peito. Tinha um jeito inocente de cobrir os olhos ao ver meu corpo semi-nu. -me conta como ele era. Talvez o conheça. -não olhei seu rosto. - temia que não acreditasse no que vi. -só vi que era moreno. Mais alto que o senhor... -é a barba que me deixa mais velho? Vou te deixar em segurança. Te levo até a porta de casa. Fui guiada pelos ombros até subir no cavalo novamente. Uma hora mais tarde chegamos a minha casa. -está entregue. Adeus, moça bonita que não sei o nome. Saiu puxando seu cavalo e sumiu na escuridão. Disse algo que não pude distinguir e se foi.
Um dia acordei num lugar desconhecido. A luz clara de um começo de manhã entrava pelas janelas do quarto.
Uma calma profunda me invadia, como se o tempo houvesse parado, como se não houvesse mais futuro. Cheiro de lençol limpo, flores pela cama, tudo era tão aconchegante que a vontade era de beijar o travesseiro. Levantei devagar, como se qualquer aceleração pudesse estragar aquela sensação tão leve de paz. Das três janelas, a única aberta era a mais próxima de mim, na parede rente a cama. Levantei e vi um mundo novo ao lado de fora. Por dentro paredes de pedra, lá fora as nuvens amareladas enchiam o céu feito um quadro vivo. O lugar era cercado por uma floresta que se perdia no horizonte. Parecia estar bem longe dos meus. Não havia sensação de perigo ali, era como se estivesse em casa. A vontade era de explorar o lugar e conhecer, queria sair voando pela janela. A porta entreaberta dava para um corredor, silencioso e escuro como num filme em preto e branco. Haviam muitos outros quartos como o meu, todos com portas fechadas. Saí para uma sacada enfeitada por pilares como na Grécia. A visão era da mesma floresta infinita. Estava ilhada. Desci por um lance de escadas e parei a porta de uma cozinha. O fogo estava aceso. Som de passos, alguém vinha em minha direção, me escondi entre algumas plantas do lado de fora antes de ser vista. Sentia uma mistura de vergonha e timidez por estar numa casa tão bela, não queria logo de imediato ser vista. Não imaginava quem podia morar por ali. Uma senhora de idade vinha carregando uma panela a esfumaçar. Logo senti cheiro de café. Grandes mãos pousaram em meus ombros e me virei... -calma, não precisa ter medo. - disse a criatura. Uma forma oval flutuava acima de um corpo nu e sem cabeça. Seu rosto sorria num fundo branco, como se desenhado numa folha de papel. -não tenha medo. Só sou bidimensional, minha cabeça voou para longe e meus pensamentos ficaram aqui esperando ela voltar... Não conseguia esboçar reação ante aquela criatura. - Olha isso, de qualquer direção que me olhar, vai ver meu rosto de frente. -tentava girar a cabeça sem conseguir. Não conseguia demonstrar reação àquela criatura. - posso olhar para todos os lados ao mesmo tempo. Olha isso. - girava o corpo, sem que a cabeça seguisse. Apenas conseguia dizer não, assustada. Comecei a andar em direção a floresta. Fui aumentando o passo até estar correndo. -não vou te fazer mal! Espera minha cabeça voltar, ela é bonita. Seu corpo era pesado, tentava me seguir, mas corria devagar. Logo fui tomando mais distancia. Depois de curta perseguição, o perdi de vista. Ainda ouvia seus apelos ao entrar na floresta. Não havia caminho aberto, tudo era vegetação, como se o lugar nunca houvesse sido tocado por mãos humanas. Os galhos a princípio me rasgavam as roupas. Me enfiava bravamente entre as ervas daninhas e arvores estreitas. Aos poucos elas iam se abrindo, as folhas se moviam visivelmente, fazendo gestos de passagem como mãozinhas gentis. Era como ir aos poucos perdendo os sentidos. Já não contava o tempo que havia se passado. Nem imaginava o quanto havia caminhado. O chão morno e macio passava a impressão de que caminhava flutuando. O silencio era incomum, nada dos barulhos de floresta. Tentava sem sucesso ouvir pássaros, não corriam águas. O vento batia em meus cabelos sem cantar. A tarde chegava ao fim sem que escurecesse. O sol desaparecera ha muito, coberto pelas arvores. O mundo havia congelado. O brilho e as nuvens... A cor do céu e o vento... O silencio e o movimento das copas das árvores... Meu próprio relógio interno havia parado desde a fuga do castelo. As nuvens se mostravam cansadas, seguiam para casa sem que conseguissem escurecer. Pouco a pouco meus pés foram sentindo a umidade do chão. O aroma das águas caminhava pelo ar, convidava meu nariz a seguir como um velho amigo. Em instantes se abria a minha frente, um lago. Suas bordas possuíam a forma nítida de pálpebras. Seus olhos aquáticos me convidavam a nadar. Deitei fora o vestido já rasgado e encardido da caminhada e mergulhei. A água era morna e salgada. O fundo ficava a metros abaixo de mim, flutuava sem vontade própria, guiada ao desconhecido. Vagava pelo espaço sideral. - nade em mim. – dizia uma voz vinda do fundo. Era terna, entrava em minha mente sem que fosse sentida pelos ouvidos. Fazia os olhos fecharem de sono. Sob minhas pálpebras brilhavam as estrelas, abaixo e acima, por todos os lados. Minha visão girava em 360 graus. Sentia-me refletida num espelho gigante, como um astro no infinito. A correnteza arrastava meus ouvidos para além. Iam para onde nem a vista alcançava. -toque os meus espaços. – falei sem sentir. – sou o mundo. Mãos de água me acariciaram os pés, espiralavam sensualmente, subindo em direção aos dedos. Paravam entre os dedos como se tocassem meus orifícios e os penetrava infinitamente, desaguando pelo outro lado. Inundando meus tornozelos. Pequenas ondas correram entre minhas pernas, feito mãos forçando-as a abrir. -toque os meus. –pediu ela timidamente. – me leve a mergulhar em você. Avermelhei, imaginando o que viria a seguir. -é sujo... - sussurrei alto. Seus braços aconchegantes me envolveram, correspondi entrelaçando-os com os meus. -nada é sujo quando se deseja. Apenas se abra, deixa que te navegue. Afogue-me em você. Seus vapores refrescantes me tocavam o rosto... -só há você aqui. Deixa que te sinta. Vergonhosa, fui abrindo as pernas e deixando correr o jatinho de xixi. A água ao meu redor foi ficando amarelada e quente. Esporos subiam, iluminando o ar. -é doce. – disse a criatura. Um par de mãos em posição de reza emergiu entre meus pés, nadavam em minha direção como as barbatanas dorsais de um peixe. Afastei as pernas para que se chegassem. Meus grandes lábios foram abertos e o jatinho subiu. O barulho do xixi caindo na água me excitava. -tudo em você é belo. – um rosto feminino se esgueirava sobre as águas. Deitada, apenas conseguia sentir espaços sendo preenchidos. Sua língua penetrou minha vagina, lambendo as ultimas gotas que saíam. -olá. – me sorriu apoiando os cotovelos em minhas coxas seu rosto descansava alegremente entre suas mãos. Piscava seus olhos negros para mim. Feliz. Passos podiam ser ouvidos ao longe, se aproximando. As arvores tremiam como se estivessem sendo derrubadas. - as arvores tremem. Vem vindo alguém. – olhava assustada para as margens, buscando a direção dos tremores. – deixa que te esconda, a água não vai te fazer mal. Abracei seu corpo e fui afundando, nossos olhos se tocaram. -é o caçador! Ele vem a sua procura. Arvores iam caindo cada vez mais próximas da gente. Era como se um gigante estivesse a pisar no mundo. A margem, surgia um jovem em um cavalo. Vestia um manto que cobria seus ombros. -não o admire, ele vai te encontrar. – me pedia amedrontada. Lançou seus olhos verdes em minha direção. -tem alguém aí? – olhou para nós, curioso. -pela ultima vez, não responda. -ele já me viu. Fuja para longe. –falei para o vazio. De repente dei conta de que não podia respirar debaixo da água. Meus pulmões foram sufocando e levantei. O lago já não era fundo, ficava a altura da minha barriga. Como mágica, a noite foi caindo com velocidade e o tempo esfriou. As nuvens correram depressa para suas casas. Um vento frio me arrepiou a pele. Tudo se tornou ameaçador... Cobras podiam sair dos leitos e as pedras do lago eram escorregadias. A chuva podia cair, me deixando resfriada. Onças com olhos faiscantes se sentavam as margens, esperando minha saída. Comecei a tossir forte e ele veio em minha ajuda... -desculpe atrapalhar o seu banho, senhora. Quer ajuda para sair daqui? Já escurece. O vento balançava as arvores e os pássaros voavam procurando abrigo para a noite que chegava. -já escurece, me deixa te ajudar a sair daqui. – me estendeu a mão. -só me deixa procurar minhas roupas, acho que a correnteza levou. – cobria meu corpo com as mãos. Tentei mergulhar a procura dos restos de vestido mas a água estava escura. Era como se a sereia nunca houvesse existido. -pegue meu manto. –disse, descendo do cavalo. Suas botas enlameadas encardiam a água, levantava a sujeira do fundo. – não vou te morder. Pode subir. Tive a impressão de ainda ver com o canto do olho, uma criança com orelhas de raposa. Nos observava das folhagens. Ficou a nos olhar assustada por instantes e depois fugiu. O cavalo ia veloz por uma estrada aberta. -não devia vir aqui sozinha, é perigoso. Não imagino como conseguiu chegar tão longe... -andei a tarde inteira. Fui perseguida por um homem. -ele te machucou? –tocou gentilmente meu braço que o entrelaçava. -consegui fugir antes. Ele estava pelado. -posso encontrar esse rapaz se quiser. Paramos um momento para acender a lamparina. -vou tirar minha camisa pra te aquecer mais. Andaria nu se não fosse indecente chegar assim na cidade. Sua gentileza me atraía e ao mesmo tempo amedrontava. Seu corpo era forte, queimado de sol. Caía uma barba escura em seu peito. Tinha um jeito inocente de cobrir os olhos ao ver meu corpo semi-nu. -me conta como ele era. Talvez o conheça. -não olhei seu rosto. - temia que não acreditasse no que vi. -só vi que era moreno. Mais alto que o senhor... -é a barba que me deixa mais velho? Vou te deixar em segurança. Te levo até a porta de casa. Fui guiada pelos ombros até subir no cavalo novamente. Uma hora mais tarde chegamos a minha casa. -está entregue. Adeus, moça bonita que não sei o nome. Saiu puxando seu cavalo e sumiu na escuridão. Disse algo que não pude distinguir e se foi.
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