capítulo final
Queria poder contar a vocês só historias boas. Omitir as ruins e dizer que foi tudo como um sonho. Mas vocês nunca acreditariam em mim.
Poderia dizer que passei o resto dos meus dias no castelo de Tokanda e passaria com esta história, tanta segurança, tanta felicidade que vocês se sentiriam como eu só em ouvir. Acreditariam no amor e em todas as coisas bonitas da vida. Mas não deu. Nada aconteceu como sonhei...
-mulher de família não bate em homem. Seu pai adoeceu com o seu sumiço. E não vai gostar nada dessa historia...
-ele vai gostar de saber que sua filha recebeu uma promessa de surra? De um homem que nem marido é? Deixa ele saber!
-mas é um homem bom, que te ajudou a voltar pra casa...
-voltei por falta de escolha! –falei baixo, olhando em seus olhos. – chegou atirando nos meus amigos e ninguém fez nada contra ele... atirou até no homem que eu queria casar... chama ele mais uma vez de homem bom, mãe! Chama!
-o que estão discutindo aí? –gritou meu pai, da sala. –há meses sumida e ainda quer falar grosso? Responda direito a sua mãe! Quer levar um castigo?
-vem me dar! Não vai doer tanto quanto casar forçada!
-repita o que me falou, repita! –um tapa me acertou o rosto. –será que vai ter que aprender de novo a respeitar seu pai?
–eu tenho medo dele! Tenho medo de você! –gritei entre lagrimas. - Quis fugir porque não o conhecia. E não sei o que quer de mim!
O cinto cortava o ar e minhas bandagens, virei para a parede a chorar. E muitos mais vieram.
-vai casar com ele e vai dizer isso já!
-o que é o meu desejo contra o de vocês, meu pai?
Aquilo foi o começo do pesadelo. Depois de uma das maiores surras da minha vida, fui trancada no quarto.
-vamos dobrar essa rebeldia sua! Só sai daí quando aceitar, e se continuar gritando, leva outra surra!
-Léo, porque me abandonaste? –caí no chão, de braços abertos.
Tive que aprender a gostar do feitor, caso contrario viveria uma vida amarga ao lado dele. E aquele rapaz foi até carinhoso.
Me fez prometer a meus pais que não ia fugir de novo e me tirou do castigo.
Até o dia do casamento, nove meses mais tarde, ainda olhava os cantos escuros, imaginando abrir algum portal e me engolir.
A baboseira do padre me desceu pelos meus ouvidos sem um gole de água.
Logo nos mudamos para uma casa na cidade. Tudo arranjado por ele e por meus pais.
Mas não se entristeçam por mim. Naqueles séculos, o casamento era como um emprego, se casava para viver melhor.
Esses tempos foram enterrados há muito, e me furto de contar a vocês sobre o desencanto da primeira noite de sexo com ele. Tentava imaginar o meu amante bovino em seu lugar, mas a dureza me trazia a realidade.
Passei a temer a noite, o escuro do quarto me trazia a lembrança de tempos bons, que colocavam abaixo minhas defesas. Sua dureza me chegava logo naqueles momentos sensíveis.
Esperei por tempos, a tal mudança chegar. E chorei quando aos 26 anos, a velhice chegou. Pensava ser os caninos a crescer em minha boca quando na verdade era o primeiro dente caindo. Nunca cheguei a me transformar no Leopardo. Nem os pelos escureceram na esperança.
Mas cresci. Aprendi a compensar a altura e a força do meu marido com altivez. Passei a ser respeitada como se tivéssemos a mesma altura.
Quinze anos mais velho que eu, chegou na meia idade e seus cabelos logo clarearam. Até ganhou certa beleza. Imaginem um homem com quase dois metros de altura, grisalho e forte. Fosse o meu coração mais caseiro, até me apaixonaria.
Esperávamos um filho que nunca vinha. Nos tornamos cúmplices ao inventar desculpas as nossas famílias sobre não conseguir engravidar.
E assim a vida seguiu.
Poderia dizer que passei o resto dos meus dias no castelo de Tokanda e passaria com esta história, tanta segurança, tanta felicidade que vocês se sentiriam como eu só em ouvir. Acreditariam no amor e em todas as coisas bonitas da vida. Mas não deu. Nada aconteceu como sonhei...
-mulher de família não bate em homem. Seu pai adoeceu com o seu sumiço. E não vai gostar nada dessa historia...
-ele vai gostar de saber que sua filha recebeu uma promessa de surra? De um homem que nem marido é? Deixa ele saber!
-mas é um homem bom, que te ajudou a voltar pra casa...
-voltei por falta de escolha! –falei baixo, olhando em seus olhos. – chegou atirando nos meus amigos e ninguém fez nada contra ele... atirou até no homem que eu queria casar... chama ele mais uma vez de homem bom, mãe! Chama!
-o que estão discutindo aí? –gritou meu pai, da sala. –há meses sumida e ainda quer falar grosso? Responda direito a sua mãe! Quer levar um castigo?
-vem me dar! Não vai doer tanto quanto casar forçada!
-repita o que me falou, repita! –um tapa me acertou o rosto. –será que vai ter que aprender de novo a respeitar seu pai?
–eu tenho medo dele! Tenho medo de você! –gritei entre lagrimas. - Quis fugir porque não o conhecia. E não sei o que quer de mim!
O cinto cortava o ar e minhas bandagens, virei para a parede a chorar. E muitos mais vieram.
-vai casar com ele e vai dizer isso já!
-o que é o meu desejo contra o de vocês, meu pai?
Aquilo foi o começo do pesadelo. Depois de uma das maiores surras da minha vida, fui trancada no quarto.
-vamos dobrar essa rebeldia sua! Só sai daí quando aceitar, e se continuar gritando, leva outra surra!
-Léo, porque me abandonaste? –caí no chão, de braços abertos.
Tive que aprender a gostar do feitor, caso contrario viveria uma vida amarga ao lado dele. E aquele rapaz foi até carinhoso.
Me fez prometer a meus pais que não ia fugir de novo e me tirou do castigo.
Até o dia do casamento, nove meses mais tarde, ainda olhava os cantos escuros, imaginando abrir algum portal e me engolir.
A baboseira do padre me desceu pelos meus ouvidos sem um gole de água.
Logo nos mudamos para uma casa na cidade. Tudo arranjado por ele e por meus pais.
Mas não se entristeçam por mim. Naqueles séculos, o casamento era como um emprego, se casava para viver melhor.
Esses tempos foram enterrados há muito, e me furto de contar a vocês sobre o desencanto da primeira noite de sexo com ele. Tentava imaginar o meu amante bovino em seu lugar, mas a dureza me trazia a realidade.
Passei a temer a noite, o escuro do quarto me trazia a lembrança de tempos bons, que colocavam abaixo minhas defesas. Sua dureza me chegava logo naqueles momentos sensíveis.
Esperei por tempos, a tal mudança chegar. E chorei quando aos 26 anos, a velhice chegou. Pensava ser os caninos a crescer em minha boca quando na verdade era o primeiro dente caindo. Nunca cheguei a me transformar no Leopardo. Nem os pelos escureceram na esperança.
Mas cresci. Aprendi a compensar a altura e a força do meu marido com altivez. Passei a ser respeitada como se tivéssemos a mesma altura.
Quinze anos mais velho que eu, chegou na meia idade e seus cabelos logo clarearam. Até ganhou certa beleza. Imaginem um homem com quase dois metros de altura, grisalho e forte. Fosse o meu coração mais caseiro, até me apaixonaria.
Esperávamos um filho que nunca vinha. Nos tornamos cúmplices ao inventar desculpas as nossas famílias sobre não conseguir engravidar.
E assim a vida seguiu.
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