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Mostrando postagens de 2018

doce submissão

Lembro do dia que viajei de onibus e aquelas mãos me tocaram pela primeira vez. Meus dedos, como se controlados por outro alguém, corriam por meus antebraços fazendo carinho. Riscavam tatuagens em mim. - sinto tanta saudade. - Ela me falou usando docemente minha própria voz. E era tão agradável ouvir, que pedi a mim mesma para que continuasse a falar. Os pensamentos corriam duvidosos do que acontecia. - Se sou eu ou apenas você, pouco importa agora. Deixa que o amor te liberte. Então beijei minha própria boca. A lingua corria gostosamente pelo meu céu, sentindo seu gosto estrangeiro.. Nós de mãos dadas e a voz estrangeira repetia... - Que saudade. - Não tenha medo, pode falar por mim. Do lado de fora, o onibus corria por paisagens de montanha. O céu mostrava o fim da tarde. - Dá sua mão aqui. -Alguma de nós disse a coçar o nariz. Que nem um cachorrinho. E foi subindo. Ondas de carinho desenhavam círculos em nossos olhos fechados. Até meu coração pude sentir, entregue ...

Tokanda - trecho

Tokanda Tenho como um sonho bem distante a lembrança de meus irmão, tudo pretinho que nem eu. Morava todo mundo em uma casa de fazenda, mas lembro bem pouco dela porque fugia muito. Fiquei por lá até o meio da minha adolescência porque um senhor me tirou pra criar na cidade. Mas antes de ele me levar embora muita coisa aconteceu. Extremo sul da Bahia, 1917 Ia lá meus 16 ano quando um dia acordei em um lugar diferente. Aquela luz clarinha entrando pela janela do quarto. Não conseguia olhar pro lado de fora porque precisava levantar, e me dava uma preguiça tão grande. Aquela calma que parecia que o tempo tinha parado. Nem o futuro existia mais. A cama tinha um cheiro de lençol limpo, toda coberta de flores. Queria era beijar tudo de tão cheiroso que era. Lá em casa dormia eu e um monte de menino, tudo no mesmo apertado. Agora tinha uma cama inteira só pra mim. Fiquei rolando, sentindo aquele cheiro bom pra aproveitar. Depois fui levantando devagarinho, como se qualque...

a estranha loja de magia

em homenagem ao paraíbano da banca de revista lá de Itabuna, que me abriu imensamente a fome de leitura através de seu cheiro de papel velho e poeira. e a meu avô, que me levou até lá, para eu eu escolhesse o que quiser. pouca gente sabe, mas apertada entre dois prédios velhos em uma rua perto daquele cinema Glauber Rocha lá de Salvador, fica uma portinha fechada. quem entra por ela encontra uma loja de antiguidades bem peculiar. uma placa bem desbotada dá a impressão de que a salinha lá de dentro já foi abandonada. mas é só a aparência. se você quiser chegar lá qualquer hora dessas, precisa nem bater, é só entrar. vai ser recebida por um rapaz que a gente chama de o Paraíbano. Com p maiúsculo mesmo, porque de tanto tempo que o conheço, gravou em minha cabeça que aquele é o seu único nome. estou perto dos meus 40 anos. Em minha primeira infância, lembro que ele parecia ser bem mais velho que eu. hoje parece ter a minha idade. sempre muito alegre, ele te explica sobre qualquer ...